Encaminhamento para avaliação com cetamina subcutânea
Indicações, avaliação clínica, protocolo, monitorização e comunicação com o médico assistente.
Indicações
A Genuine recebe pacientes para tratamento com cloridrato de escetamina injetável por via subcutânea.
O serviço é direcionado principalmente a episódios depressivos resistentes ao tratamento, unipolares ou bipolares, incluindo situações de resposta parcial ou intolerância às estratégias anteriores.
- Apresentação: solução injetável 50 mg/mL
- Via: subcutânea
- Estabelecimento: licenciado pela Vigilância Sanitária.
- Consentimento: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes do início
A apresentação injetável é utilizada em psiquiatria fora das indicações de bula, e a via subcutânea não consta na bula do medicamento. A indicação é criteriosa, com justificativa registrada em prontuário e consentimento esclarecido.1
Antes do tratamento, o paciente deve passar por avaliação com psiquiatra da equipe que considera a presença de indicação clínica e a ausência de contraindicações.
Contraindicações
O tratamento não é iniciado nas seguintes situações:
- transtorno psicótico primário ou sintomas psicóticos ativos;
- gestação ou lactação;
- hipertensão arterial não controlada;
- AVC ou infarto agudo do miocárdio nos últimos seis meses;
- obesidade mórbida;
- insuficiência hepática, renal ou cardíaca;
- porfiria ou hipersensibilidade ao medicamento;
- história de abuso ou dependência relacionada à cetamina ou à escetamina.
Outras condições podem exigir estabilização prévia, exames adicionais ou avaliação de outra especialidade.
Protocolo clínico e monitorização
O protocolo da Genuine foi estruturado com base em estudos e protocolos brasileiros de pesquisa com escetamina subcutânea, incluindo a experiência do Brazilian Consortium on Ketamine Research — BraCKet. A dose, a frequência das sessões e a fase de manutenção são individualizadas de acordo com a resposta clínica, a tolerabilidade e os parâmetros de segurança.2
| Etapa | Conduta |
|---|---|
| Fase inicial | De 8 a 12 sessões, uma ou duas vezes por semana |
| Reavaliação | Avaliação clínica semanal, escalas e registro de efeitos adversos |
| Manutenção | Uma ou duas sessões mensais, quando clinicamente indicada |
Durante as sessões, são monitorados:
- pressão arterial;
- frequência cardíaca e respiratória;
- saturação de oxigênio;
- nível de consciência;
- efeitos dissociativos e outras intercorrências.
O procedimento é realizado com equipe médica treinada, em estabelecimento licenciado e com recursos para o manejo de intercorrências. A alta ocorre após recuperação clínica e cumprimento dos critérios previstos no protocolo.1
O paciente deve comparecer com acompanhante e não dirigir até o dia seguinte.
Comunicação com o médico assistente
O escopo da atuação e as responsabilidades de cada profissional são definidos antes do início.
Com autorização do paciente, o médico assistente recebe informações sobre:
- tolerabilidade e evolução clínica;
- intercorrências relevantes;
- proposta de continuidade ou interrupção.
O acompanhamento psiquiátrico longitudinal permanece com o médico assistente.
Base científica
A evidência da via subcutânea inclui estudos brasileiros de mundo real com escetamina e ensaios controlados com cetamina racêmica.
Uma coorte naturalística da UNIFESP avaliou 70 pacientes com episódios depressivos resistentes, unipolares ou bipolares, submetidos a 394 infusões de escetamina subcutânea. Aproximadamente metade apresentou resposta antidepressiva, e análises da mesma coorte investigaram ansiedade, anedonia, suicidalidade, efeitos dissociativos e alterações pressóricas.3
Essa linha de pesquisa foi ampliada por estudo retrospectivo naturalístico com 178 pacientes, realizado na Clínica de Escetamina do PRODAF/UNIFESP, do qual o Dr. Rogério Onofre é coautor. O estudo avaliou a evolução dos sintomas ao longo de seis administrações semanais e a associação de benzodiazepínicos, lítio e lamotrigina com a trajetória antidepressiva.4
Outro estudo brasileiro, aberto e com 30 participantes, avaliou oito sessões semanais de escetamina subcutânea. Ao final, foram observadas taxas de resposta de 52,17% e remissão de 34,78%.5
A evidência controlada da via inclui os estudos de Colleen Loo e colaboradores com cetamina racêmica. O estudo piloto de 2016 avaliou titulação de dose e as vias intravenosa, intramuscular e subcutânea.6 Posteriormente, o ensaio KADS, randomizado, duplo-cego e com controle ativo, demonstrou eficácia da cetamina racêmica subcutânea adequadamente dosada durante quatro semanas em depressão resistente.7
Uma revisão sistemática específica da via reuniu 12 estudos com cetamina racêmica ou escetamina e encontrou resultados antidepressivos favoráveis. A heterogeneidade dos estudos impediu uma metanálise exclusiva da via subcutânea.8
Uma metanálise de efetividade em mundo real reuniu 79 estudos e 2.665 pacientes tratados com cetamina ou escetamina. As estimativas agrupadas foram de aproximadamente 45% de resposta e 30% de remissão. Como foram incluídas diferentes substâncias, vias e estratégias terapêuticas, esses números não representam uma estimativa específica da escetamina subcutânea.9
Em conjunto, os estudos oferecem evidências convergentes de efetividade antidepressiva e tolerabilidade da via subcutânea em episódios depressivos resistentes. A base inclui estudos brasileiros diretamente realizados com escetamina e ensaios controlados com cetamina racêmica.
AGENDE SUA CONSULTAComo encaminhar
Se você tem um paciente que acredita que possa se beneficiar com o tratamento com a escetamina, pode solicitar que ele entre em contato para agendar uma avaliação pelo whatsapp: (11) 91782-1493. A equipe médica também está disponível para esclarecer suas dúvidas antes do encaminhamento.
Referências essenciais
- Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 20/2024: uso da escetamina para o tratamento de transtornos mentais. Brasília: CFM; 2024.
- Lacerda ALT, Del Porto JA, editores. Uso da cetamina no tratamento de transtornos psiquiátricos e dor crônica: teoria e prática. 1ª ed. São Paulo: Editora dos Editores; 2020.
- Lucchese AC, et al. Repeated subcutaneous esketamine for treatment-resistant depression: impact of the degree of treatment resistance and anxiety comorbidity. J Psychopharmacol. 2021;35(2):142-149. doi: 10.1177/0269881120978398.
- Atidio JPS, et al. Role of concomitant benzodiazepines, lithium, and lamotrigine in modulating the antidepressant effects of subcutaneous esketamine in patients with treatment-resistant depressive episodes: a retrospective naturalistic study. J Affect Disord. 2026;406:121721. doi: 10.1016/j.jad.2026.121721.
- Palhano-Fontes F, et al. Repeated subcutaneous esketamine on treatment-resistant depression: an open-label dose titration study. J Affect Disord. 2025;369:155-163. doi: 10.1016/j.jad.2024.09.141.
- Loo CK, et al. Placebo-controlled pilot trial testing dose titration and intravenous, intramuscular and subcutaneous routes for ketamine in depression. Acta Psychiatr Scand. 2016;134(1):48-56. doi: 10.1111/acps.12572.
- Loo CK, et al. Efficacy and safety of a 4-week course of repeated subcutaneous ketamine injections for treatment-resistant depression: KADS study. Br J Psychiatry. 2023;223(6):533-541. doi: 10.1192/bjp.2023.79.
- Cavenaghi VB, et al. Subcutaneous ketamine in depression: a systematic review. Front Psychiatry. 2021;12:513068. doi: 10.3389/fpsyt.2021.513068.
- Alnefeesi Y, et al. Real-world effectiveness of ketamine in treatment-resistant depression: a systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res. 2022;151:693-709. doi: 10.1016/j.jpsychires.2022.04.037.
Conteúdo médico: Dr. Rogério Onofre — CRM-SP 192.427 | RQE 109.401
Revisão e responsabilidade técnica: Dra. Giuliana Cividanes — CRM-SP 85.732 | RQE 64.142
Última revisão: 21 de julho de 2026