Encaminhamento para avaliação com cetamina subcutânea
Indicações, avaliação clínica, protocolo, monitorização e comunicação com o médico assistente.
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Indicações
A Genuine recebe pacientes para tratamento com cloridrato de escetamina injetável por via subcutânea.
O serviço é direcionado principalmente a episódios depressivos resistentes ao tratamento, unipolares ou bipolares, incluindo situações de resposta parcial ou intolerância às estratégias anteriores.
- Apresentação: solução injetável 50 mg/mL
- Via: subcutânea
- Estabelecimento: licenciado pela Vigilância Sanitária.
- Consentimento: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido antes do início
A apresentação injetável é utilizada em psiquiatria fora das indicações de bula, e a via subcutânea não consta na bula do medicamento. A indicação é criteriosa, com justificativa registrada em prontuário e consentimento esclarecido.[1]
Antes do tratamento, o paciente deve passar por avaliação com psiquiatra da equipe que considera a presença de indicação clínica e a ausência de contraindicações.
Contraindicações
O tratamento não é iniciado nas seguintes situações:
- transtorno psicótico primário ou sintomas psicóticos ativos;
- gestação ou lactação;
- hipertensão arterial não controlada;
- AVC ou infarto agudo do miocárdio nos últimos seis meses;
- obesidade mórbida;
- insuficiência hepática, renal ou cardíaca;
- porfiria ou hipersensibilidade ao medicamento;
- história de abuso ou dependência relacionada à cetamina ou à escetamina.
Outras condições podem exigir estabilização prévia, exames adicionais ou avaliação de outra especialidade.
Protocolo clínico e monitorização
O protocolo da Genuine foi estruturado com base em estudos e protocolos brasileiros de pesquisa com escetamina subcutânea, incluindo a experiência do Brazilian Consortium on Ketamine Research — BraCKet. A dose, a frequência das sessões e a fase de manutenção são individualizadas de acordo com a resposta clínica, a tolerabilidade e os parâmetros de segurança.[2]
| Etapa | Conduta |
|---|---|
| Fase inicial | De 8 a 12 sessões, uma ou duas vezes por semana |
| Reavaliação | Avaliação clínica semanal, escalas e registro de efeitos adversos |
| Manutenção | Uma ou duas sessões mensais, quando clinicamente indicada |
Durante as sessões, são monitorados:
- pressão arterial;
- frequência cardíaca e respiratória;
- saturação de oxigênio;
- nível de consciência;
- efeitos dissociativos e outras intercorrências.
O procedimento é realizado com equipe médica treinada, em estabelecimento licenciado e com recursos para o manejo de intercorrências. A alta ocorre após recuperação clínica e cumprimento dos critérios previstos no protocolo.[1]
O paciente deve comparecer com acompanhante e não dirigir até o dia seguinte.
Comunicação com o médico assistente
O escopo da atuação e as responsabilidades de cada profissional são definidos antes do início.
Com autorização do paciente, o médico assistente recebe informações sobre:
- tolerabilidade e evolução clínica;
- intercorrências relevantes;
- proposta de continuidade ou interrupção.
O acompanhamento psiquiátrico longitudinal permanece com o médico assistente.
Base científica
A evidência da via subcutânea inclui estudos brasileiros de mundo real com escetamina e ensaios controlados com cetamina racêmica.
Uma coorte naturalística da UNIFESP avaliou 70 pacientes com episódios depressivos resistentes, unipolares ou bipolares, submetidos a 394 infusões de escetamina subcutânea. Aproximadamente metade apresentou resposta antidepressiva, e análises da mesma coorte investigaram ansiedade, anedonia, suicidalidade, efeitos dissociativos e alterações pressóricas.[3]
Essa linha de pesquisa foi ampliada por estudo retrospectivo naturalístico com 178 pacientes, realizado na Clínica de Escetamina do PRODAF/UNIFESP, do qual o Dr. Rogério Onofre é coautor. O estudo avaliou a evolução dos sintomas ao longo de seis administrações semanais e a associação de benzodiazepínicos, lítio e lamotrigina com a trajetória antidepressiva.[4]
Outro estudo brasileiro, aberto e com 30 participantes, avaliou oito sessões semanais de escetamina subcutânea. Ao final, foram observadas taxas de resposta de 52,17% e remissão de 34,78%.[5]
A evidência controlada da via inclui os estudos de Colleen Loo e colaboradores com cetamina racêmica. O estudo piloto de 2016 avaliou titulação de dose e as vias intravenosa, intramuscular e subcutânea.[6] Posteriormente, o ensaio KADS, randomizado, duplo-cego e com controle ativo, demonstrou eficácia da cetamina racêmica subcutânea adequadamente dosada durante quatro semanas em depressão resistente.[7]
Uma revisão sistemática específica da via reuniu 12 estudos com cetamina racêmica ou escetamina e encontrou resultados antidepressivos favoráveis. A heterogeneidade dos estudos impediu uma metanálise exclusiva da via subcutânea.[8]
Uma metanálise de efetividade em mundo real reuniu 79 estudos e 2.665 pacientes tratados com cetamina ou escetamina. As estimativas agrupadas foram de aproximadamente 45% de resposta e 30% de remissão. Como foram incluídas diferentes substâncias, vias e estratégias terapêuticas, esses números não representam uma estimativa específica da escetamina subcutânea.[9]
Em conjunto, os estudos oferecem evidências convergentes de efetividade antidepressiva e tolerabilidade da via subcutânea em episódios depressivos resistentes. A base inclui estudos brasileiros diretamente realizados com escetamina e ensaios controlados com cetamina racêmica.
AGENDE SUA CONSULTAComo encaminhar
Se você tem um paciente que acredita que possa se beneficiar com o tratamento com a escetamina, pode solicitar que ele entre em contato para agendar uma avaliação pelo whatsapp: (11) 91782-1493. A equipe médica também está disponível para esclarecer suas dúvidas antes do encaminhamento.
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Referências essenciais
- Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 20/2024: uso da escetamina para o tratamento de transtornos mentais. Brasília: CFM; 2024.
- Lacerda ALT, Del Porto JA, editores. Uso da cetamina no tratamento de transtornos psiquiátricos e dor crônica: teoria e prática. 1ª ed. São Paulo: Editora dos Editores; 2020.
- Lucchese AC, et al. Repeated subcutaneous esketamine for treatment-resistant depression: impact of the degree of treatment resistance and anxiety comorbidity. J Psychopharmacol. 2021;35(2):142-149. doi: 10.1177/0269881120978398.
- Atidio JPS, et al. Role of concomitant benzodiazepines, lithium, and lamotrigine in modulating the antidepressant effects of subcutaneous esketamine in patients with treatment-resistant depressive episodes: a retrospective naturalistic study. J Affect Disord. 2026;406:121721. doi: 10.1016/j.jad.2026.121721.
- Palhano-Fontes F, et al. Repeated subcutaneous esketamine on treatment-resistant depression: an open-label dose titration study. J Affect Disord. 2025;369:155-163. doi: 10.1016/j.jad.2024.09.141.
- Loo CK, et al. Placebo-controlled pilot trial testing dose titration and intravenous, intramuscular and subcutaneous routes for ketamine in depression. Acta Psychiatr Scand. 2016;134(1):48-56. doi: 10.1111/acps.12572.
- Loo CK, et al. Efficacy and safety of a 4-week course of repeated subcutaneous ketamine injections for treatment-resistant depression: KADS study. Br J Psychiatry. 2023;223(6):533-541. doi: 10.1192/bjp.2023.79.
- Cavenaghi VB, et al. Subcutaneous ketamine in depression: a systematic review. Front Psychiatry. 2021;12:513068. doi: 10.3389/fpsyt.2021.513068.
- Alnefeesi Y, et al. Real-world effectiveness of ketamine in treatment-resistant depression: a systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res. 2022;151:693-709. doi: 10.1016/j.jpsychires.2022.04.037.
Conteúdo médico: Dr. Rogério Onofre — CRM-SP 192.427 | RQE 109.401
Revisão e responsabilidade técnica: Dra. Giuliana Cividanes — CRM-SP 85.732 | RQE 64.142
Última revisão: 21 de julho de 2026