Transtorno de pânico: como reconhecer as crises e quando buscar ajuda

Postado em: 15/07/2024

Paciente conversando com terapeuta em ambiente acolhedor

Um ataque de pânico é uma onda súbita de medo ou desconforto intenso, acompanhada de sintomas físicos como palpitações, falta de ar, tremores ou tontura. Já o transtorno de pânico envolve ataques recorrentes e inesperados, seguidos de preocupação persistente com novas crises ou mudanças de comportamento para evitá-las.1, 2

Ter uma crise isolada não confirma o transtorno. A avaliação clínica é importante tanto para compreender o padrão dos episódios quanto para descartar condições físicas, medicamentos ou substâncias que possam produzir sintomas semelhantes.

Por Dra. Giuliana Cividanes
Médica psiquiatra
CRM-SP 85.732 | Psiquiatria – RQE 64.142

Publicado em 15 de julho de 2024. Revisado em 28 de agosto de 2026.

Em resumo

  • Ataques de pânico podem ocorrer sem que exista transtorno de pânico.
  • O transtorno envolve recorrência, medo antecipatório ou evitação com prejuízo na vida.
  • Dor no peito, falta de ar e palpitações também podem ter causas clínicas e não devem ser atribuídas automaticamente à ansiedade.
  • Psicoterapia, medicamentos ou a combinação das duas abordagens podem ajudar.

O que acontece durante um ataque de pânico?

A crise costuma começar de forma rápida e atingir grande intensidade em poucos minutos. A pessoa pode interpretar as sensações como sinal de infarto, desmaio, perda de controle ou morte iminente. Embora a experiência seja assustadora, os sintomas tendem a diminuir gradualmente.

Entre as manifestações possíveis estão:

  • palpitações ou aceleração dos batimentos;
  • suor, tremores, calafrios ou ondas de calor;
  • falta de ar, sensação de sufocamento ou aperto na garganta;
  • dor ou desconforto no peito;
  • náusea, tontura, instabilidade ou sensação de desmaio;
  • formigamentos;
  • sensação de irrealidade ou de distanciamento de si;
  • medo de perder o controle ou morrer.

Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas, e uma lista isolada não permite fazer o diagnóstico.1

Ataque de pânico e transtorno de pânico são a mesma coisa?

Não. Um ataque pode acontecer em situações de estresse intenso ou associado a outros transtornos. No transtorno de pânico, as crises são recorrentes e inesperadas. Depois delas, a pessoa pode passar semanas preocupada com um novo episódio ou mudar sua rotina para tentar evitá-lo.

Algumas pessoas deixam de usar transporte público, fazer exercícios, permanecer sozinhas ou frequentar lugares onde acreditam que seria difícil conseguir ajuda. Quando o medo dessas situações se torna persistente, também pode existir agorafobia, que precisa ser avaliada separadamente.

Quando os sintomas precisam de atendimento de urgência?

Palpitações, falta de ar, tontura e dor no peito não são exclusivas do pânico. Procure atendimento de urgência diante de sintomas novos, muito intensos ou diferentes do habitual, especialmente se houver desmaio, dor no peito persistente, fraqueza de um lado do corpo, dificuldade importante para respirar ou outra preocupação clínica.

Mesmo quem já recebeu diagnóstico de transtorno de pânico não deve presumir que todo sintoma físico seja causado pela ansiedade.

Como é feita a avaliação?

A avaliação investiga como as crises começam, quais sintomas aparecem, a frequência dos episódios, o medo de novas crises e as situações que passaram a ser evitadas. Também considera sono, cafeína, álcool, outras substâncias, medicamentos e a presença de ansiedade, depressão ou outros transtornos.

Dependendo dos sintomas e do histórico, o profissional pode recomendar avaliação clínica ou exames para investigar outras causas, como alterações cardíacas, respiratórias ou da tireoide. Nenhum exame isolado confirma transtorno de pânico; o diagnóstico é clínico.

Quais tratamentos podem ajudar?

Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental é uma das abordagens mais estudadas. Ela ajuda a compreender o ciclo entre sensações corporais, interpretações alarmantes, medo e evitação. O tratamento pode incluir exposição gradual e planejada às sensações ou situações temidas, sempre com orientação profissional.

Medicamentos

Alguns antidepressivos podem ser indicados para reduzir as crises e o medo antecipatório. A escolha depende do quadro, de outras condições de saúde, dos tratamentos anteriores e das preferências da pessoa. O início, o ajuste e a retirada devem ser acompanhados por um médico.

Psicoterapia, medicamentos e estratégias orientadas de autocuidado podem ser usados de forma isolada ou combinada. A decisão deve ser compartilhada e individualizada.2

O que fazer durante uma crise?

  • Se possível, vá para um local seguro e permaneça sentado.
  • Tente reduzir o ritmo da respiração sem forçar inspirações muito profundas.
  • Direcione a atenção para elementos concretos do ambiente.
  • Lembre-se de que a intensidade tende a diminuir, mas procure ajuda se os sintomas forem novos ou diferentes.

Essas medidas não substituem tratamento. Quando as crises se repetem, vale buscar uma avaliação em vez de organizar a vida apenas em torno da tentativa de evitá-las.

Perguntas frequentes

Uma crise de pânico pode acontecer durante o sono?

Sim. Algumas crises começam durante o sono e despertam a pessoa com medo intenso e sintomas físicos. A avaliação verifica outras possíveis causas de despertares e falta de ar.

O transtorno de pânico é o mesmo que ansiedade generalizada?

Não. No transtorno de pânico predominam crises súbitas e o medo de novos episódios. Na ansiedade generalizada, a preocupação excessiva costuma envolver diferentes áreas da vida e persistir por mais tempo. Os quadros podem coexistir.

Evitar lugares impede novas crises?

A evitação pode trazer alívio momentâneo, mas tende a ampliar as limitações e a manter o medo. O enfrentamento deve ser gradual e, quando possível, orientado por um profissional.

O transtorno de pânico pode melhorar?

Sim. Tratamentos baseados em evidências podem reduzir a frequência das crises, o medo antecipatório e as situações evitadas. O tempo e a estratégia variam de pessoa para pessoa.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica individual. Não inicie, interrompa ou altere medicamentos sem orientação profissional.

Referências

  1. National Institute of Mental Health (NIMH). Panic Disorder: What You Need to Know.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113).

Sobre a autora

Dra. Giuliana Cividanes é médica psiquiatra (CRM-SP 85.732 | Psiquiatria – RQE 64.142).

Se as crises se repetem, provocam medo constante ou estão restringindo sua rotina, uma avaliação pode esclarecer o quadro e orientar o cuidado. Conheça o atendimento para transtorno de pânico.

INFORMAÇÕES DA AUTORA:

Dra. Giuliana Cividanes

CRM-SP: 85.732
RQE: 64.142

Médica psiquiatra formada em 1995, com residência médica em Psiquiatria na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (1996–1998). É especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental certificada pelo Instituto Beck.

Atuou por quase duas décadas na UNIFESP, integrando pesquisas clínicas sobre transtornos de humor, ansiedade e atendimento a vítimas de violência. Possui diversas publicações científicas no Brasil e no exterior e foi consultora científica em psicofarmacologia por mais de 20 anos, acumulando profundo conhecimento em medicamentos psiquiátricos.

De 2002 a 2016, atuou como médica assistente no Hospital Israelita Albert Einstein. É membro da American Psychiatric Association e idealizadora da clínica Genuine Mental Health, onde coordena o atendimento de casos complexos e refratários, como depressão resistente e transtornos de difícil manejo, com protocolos modernos, éticos e individualizados.


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