Depressão: sintomas, diagnóstico e tratamento

Postado em: 19/08/2024

Pessoa de costas diante de uma janela com persianas, iluminada pela luz da manhã

Depressão é um transtorno mental que pode alterar o humor, o interesse, a energia, o sono, o apetite e a capacidade de realizar atividades cotidianas. Ela não se resume à tristeza e pode se manifestar de formas diferentes.

Durante um episódio depressivo, o humor deprimido, a irritabilidade ou a perda de interesse costumam estar presentes durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas. A duração, porém, é apenas um dos critérios. A intensidade dos sintomas, o prejuízo funcional e os riscos também precisam ser avaliados.[1]

Existem tratamentos eficazes. A escolha pode envolver psicoterapia, medicamentos e, em situações específicas, outras estratégias. O plano deve considerar o diagnóstico, a gravidade, os tratamentos anteriores, as condições clínicas e as preferências da pessoa.[2–4]

Em resumo

  • Depressão é diferente de tristeza passageira.
  • Os sintomas podem ser emocionais, cognitivos, físicos e neurovegetativos.
  • O diagnóstico é clínico; nenhum exame confirma depressão isoladamente.
  • Pensamentos de morte ou risco de autoagressão exigem atendimento imediato.

Por Dr. Rogério Onofre, médico psiquiatra em São Paulo
CRM-SP 192.427 | RQE 109.401


O que é depressão?

A Organização Mundial da Saúde estima que 5,7% dos adultos vivam com depressão. O transtorno pode comprometer relacionamentos, trabalho, estudo, autocuidado e saúde física.[1]

Nem toda pessoa deprimida aparenta tristeza. Algumas apresentam principalmente irritabilidade, apatia, isolamento, queda de produtividade, dores ou perda da capacidade de sentir prazer.

A tristeza, por outro lado, é uma emoção esperada diante de frustrações, perdas e acontecimentos dolorosos. Em geral, ela oscila e mantém uma relação compreensível com o contexto.

Na depressão, o sofrimento tende a ser mais persistente e abrangente. A pessoa pode perder interesse por diferentes áreas da vida e apresentar desesperança, culpa intensa, alterações do sono e dificuldade para manter a rotina.

Essa diferença nem sempre é clara. Luto, burnout, ansiedade e doenças clínicas podem produzir sintomas semelhantes ou coexistir com depressão.

Leia também: tristeza normal ou depressão: sete sinais de alerta.

Quais são os sintomas da depressão?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa. Não é necessário apresentar todos eles.

GrupoExemplos
Emocionaistristeza, vazio, irritabilidade, desesperança e perda de prazer
Cognitivosculpa excessiva, dificuldade de concentração, indecisão e pensamentos negativos
Comportamentaisisolamento, abandono de atividades, queda de produtividade e redução do autocuidado
Físicosfadiga, dores, redução da libido e sensação de corpo pesado
Neurovegetativosalterações do sono, apetite, peso, energia e atividade psicomotora

Uma lista mais detalhada está disponível no artigo sobre os principais sintomas da depressão.

Sintomas neurovegetativos da depressão

Os sintomas neurovegetativos envolvem funções como sono, apetite, peso, energia e ritmo psicomotor.

Podem ocorrer insônia ou sono excessivo, perda ou aumento do apetite, mudança de peso, fadiga, redução da libido e lentificação ou agitação dos movimentos.

Algumas pessoas despertam muito antes do horário habitual e não conseguem voltar a dormir. Outras passam a dormir por períodos prolongados e continuam cansadas.

Esses sintomas não são exclusivos da depressão. Alterações hormonais, distúrbios do sono, anemias, doenças neurológicas, medicamentos e uso de substâncias podem causar manifestações semelhantes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e depende de uma entrevista detalhada. O psiquiatra considera o início dos sintomas, sua duração, o impacto na vida, os riscos, os episódios anteriores e os tratamentos já realizados.

Também é importante investigar:

  • uso de álcool, medicamentos e outras substâncias;
  • doenças clínicas;
  • histórico familiar;
  • acontecimentos traumáticos ou estressores;
  • períodos anteriores de energia ou atividade anormalmente elevadas.

Questionários como o PHQ-9 podem ajudar no rastreamento e no acompanhamento, mas não confirmam o diagnóstico sozinhos.

Exames laboratoriais também não detectam depressão. Eles podem ser solicitados para investigar condições que provocam sintomas semelhantes, como anemia e alterações da tireoide.

Por que investigar transtorno bipolar?

Muitas pessoas com transtorno bipolar procuram atendimento durante uma fase depressiva, sem perceber que já tiveram períodos de hipomania ou mania.

Por isso, a avaliação deve investigar episódios de necessidade reduzida de sono, aumento incomum de energia, fala acelerada, irritabilidade ou euforia fora do padrão, impulsividade e comportamentos de risco.

Depressão unipolar e depressão bipolar não recebem o mesmo tratamento. A distinção influencia diretamente a escolha dos medicamentos e o acompanhamento.

Leia também: transtorno bipolar: sintomas, tipos, diagnóstico e tratamento.

Quando procurar atendimento imediato?

Pensamentos de morte devem ser levados a sério. Procure atendimento imediato se houver plano de suicídio, tentativa recente, autoagressão, incapacidade de se manter em segurança, agitação intensa, recusa persistente de alimentação ou sintomas psicóticos.

Diante de risco atual, procure um pronto-socorro ou uma UPA, ou acione o SAMU pelo telefone 192. Sempre que possível, permaneça acompanhado.[5]

O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, oferecendo apoio emocional. O serviço não substitui atendimento médico de emergência quando existe risco imediato.[6]

Como é o tratamento da depressão?

O tratamento depende da gravidade, do risco, das condições clínicas e das preferências de cada pessoa.

Psicoterapia

Abordagens como terapia cognitivo-comportamental, ativação comportamental e psicoterapia interpessoal têm evidências no tratamento da depressão.[1–4]

A psicoterapia pode ajudar a reduzir ruminação e evitação, retomar atividades significativas, desenvolver estratégias para problemas concretos e prevenir recaídas.

Medicamentos antidepressivos

Antidepressivos podem ser indicados conforme a gravidade e o perfil dos sintomas. A escolha considera possíveis benefícios, efeitos colaterais, interações, resposta anterior e facilidade de adesão.

A melhora não costuma ser imediata. Alguns sinais podem aparecer nas primeiras semanas, mas a resposta completa pode levar mais tempo. O acompanhamento permite avaliar sintomas, tolerabilidade e necessidade de ajustes.[2]

Entenda quanto tempo o antidepressivo pode demorar para fazer efeito.

Medicamentos não devem ser iniciados, trocados ou interrompidos sem orientação. A suspensão abrupta pode provocar sintomas de retirada.

Combinação de estratégias

Em quadros mais graves, psicoterapia e medicamento podem ser utilizados em conjunto. Sono, atividade física, redução do consumo de álcool e retomada gradual da rotina também podem contribuir, sem substituir o tratamento indicado.

E quando o primeiro tratamento não funciona?

Uma resposta insuficiente não significa que não existam outras opções.

Antes de mudar a estratégia, é necessário rever o diagnóstico, a dose, a duração, a adesão, os efeitos colaterais e a presença de outras condições clínicas ou psiquiátricas.

As possibilidades seguintes podem incluir ajuste ou troca do medicamento, psicoterapia, combinação de tratamentos ou estratégias de potencialização.[2,3]

Veja como a depressão resistente é identificada.

Em situações selecionadas, tratamentos como eletroconvulsoterapia, estimulação magnética e cetamina podem ser avaliados. A escolha depende da gravidade, dos tratamentos anteriores e das características de cada caso.

Sobre essa última opção, consulte o artigo sobre resultados clínicos da cetamina para depressão.

Perguntas frequentes

Depressão pode melhorar sozinha?

Alguns episódios podem melhorar espontaneamente, mas não é possível prever isso com segurança. A avaliação é especialmente importante quando existe prejuízo na rotina ou pensamentos de morte.

Depressão tem cura?

Muitas pessoas alcançam remissão e retomam seu funcionamento. Algumas apresentam apenas um episódio; outras podem ter recorrências e precisar de estratégias preventivas.

Depressão sempre causa tristeza?

Não. Irritabilidade, apatia, fadiga, dores, isolamento e perda de interesse podem predominar.

Um exame de sangue detecta depressão?

Não. Exames podem ajudar a investigar outras condições, mas o diagnóstico de depressão é clínico.

Referências

  1. World Health Organization. Depressive disorder (depression). Atualizado em 29 de agosto de 2025.
  2. National Institute for Health and Care Excellence. Depression in adults: treatment and management — NG222. Publicado em 2022; última revisão em 30 de janeiro de 2026.
  3. Lam RW, Kennedy SH, Adams C, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments 2023 Update on Clinical Guidelines for Management of Major Depressive Disorder in Adults. Canadian Journal of Psychiatry. 2024;69(9):641–687.
  4. Qaseem A, Owens DK, Etxeandia-Ikobaltzeta I, et al. Nonpharmacologic and Pharmacologic Treatments of Adults in the Acute Phase of Major Depressive Disorder. Annals of Internal Medicine. 2023;176(2):239–252.
  5. Ministério da Saúde. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — SAMU 192.
  6. Centro de Valorização da Vida. Ligue 188.

Se os sintomas persistem ou estão prejudicando sua rotina, agende uma avaliação psiquiátrica individualizada.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Rogério Onofre
Dr. Rogério Onofre

CRM-SP: 192.427
RQE: 109.401

Dr. Rogério Onofre é médico psiquiatra em São Paulo, com CRM-SP 192.427 e RQE 109.401. Atua na Genuine Mental Health com avaliação e tratamento individualizado de transtornos mentais, incluindo quadros complexos e resistentes.


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