Psicólogo pode prescrever medicamentos ou cetamina?
Postado em: 04/06/2025
Não. Psicólogos não prescrevem medicamentos, inclusive cetamina ou escetamina. Sua atuação envolve psicoterapia, avaliação psicológica e outras intervenções próprias da Psicologia.[1][2]
Quando existe necessidade de tratamento medicamentoso, o psicólogo pode recomendar uma avaliação médica. No caso da escetamina utilizada para transtornos mentais, essa avaliação deve ser realizada por psiquiatra com capacitação adequada.[3]
Por que usamos o termo “cetamina”?
“Cetamina” é o nome mais conhecido e procurado pelos pacientes. No Brasil, porém, a apresentação injetável registrada para uso humano é o cloridrato de escetamina.[3][4]
Por isso, o site pode empregar “cetamina” em títulos e explicações gerais, mas utiliza o termo técnico “escetamina” quando é necessário identificar precisamente o medicamento.
Quem pode indicar o tratamento com escetamina?
De acordo com o Parecer CFM nº 20/2024, a avaliação, a indicação e a prescrição da escetamina para transtornos mentais devem ser realizadas por psiquiatra devidamente capacitado.[3]
O uso em determinadas condições psiquiátricas pode ser considerado off-label. Isso significa que a indicação não consta necessariamente na bula para aquela condição ou via de administração, mas pode ser feita pelo médico com base nas evidências disponíveis, após avaliação individual e consentimento do paciente.
No caso da infusão intravenosa, o CFM recomenda a presença de anestesiologista. O tratamento também exige monitorização e estrutura adequada para acompanhar o paciente antes, durante e depois da aplicação.[3]
A escetamina é indicada para qualquer pessoa com depressão?
Não. A indicação depende do diagnóstico, da intensidade dos sintomas, dos tratamentos já realizados, das medicações em uso, das condições clínicas associadas e dos possíveis riscos.
Antes de propor o tratamento, o psiquiatra precisa avaliar se existe uma indicação clínica consistente e se a infusão pode ser realizada com segurança.
Qual é o papel do psicólogo nesse tratamento?
O psicólogo não prescreve nem administra a medicação, mas pode participar do cuidado de forma complementar.
A psicoterapia pode ajudar o paciente a compreender padrões emocionais e comportamentais, lidar com dificuldades do cotidiano e desenvolver estratégias para sustentar a melhora clínica. Essa participação é definida conforme as necessidades de cada pessoa e não constitui uma exigência em todos os tratamentos.
Psiquiatra e psicólogo podem trabalhar juntos?
Sim. O psiquiatra é responsável pela avaliação médica, pelo diagnóstico, pela prescrição e pelo acompanhamento dos efeitos do tratamento. O psicólogo atua nas intervenções psicológicas.
Quando existe comunicação entre os profissionais, o cuidado pode contemplar de maneira mais ampla os aspectos médicos, emocionais e comportamentais envolvidos no quadro.
Para entender com mais detalhes quando procurar cada profissional, leia também: Psiquiatra ou psicólogo: qual a diferença e qual procurar primeiro?
Como funciona a avaliação na Genuine?
O primeiro passo é uma consulta psiquiátrica. Nela, são analisados o diagnóstico, o histórico de tratamentos, as medicações em uso e as condições clínicas relevantes.
Se houver indicação para o tratamento, o paciente recebe as orientações sobre o protocolo, os possíveis benefícios, os riscos e a monitorização necessária.
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Referências
- Lei nº 4.119/1962 — regulamentação da profissão de psicólogo
- Decreto nº 53.464/1964 — exercício profissional da Psicologia
- Conselho Federal de Medicina — Parecer CFM nº 20/2024
- Anvisa — registro de cloridrato de escetamina injetável
- Anvisa — substâncias sujeitas a controle especial
Dr. Rogério Onofre é médico psiquiatra em São Paulo, com CRM-SP 192.427 e RQE 109.401. Atua na Genuine Mental Health com avaliação e tratamento individualizado de transtornos mentais, incluindo quadros complexos e resistentes.