Cetamina para dor crônica: quando considerar e como funciona a infusão
Postado em: 17/11/2025

O tratamento com cetamina para dor crônica pode ser considerado em alguns casos, por meio de infusão, quando os tratamentos habituais não ofereceram controle suficiente. O objetivo é reduzir a intensidade da dor e ampliar a funcionalidade, para que o paciente consiga retomar atividades e aproveitar melhor as demais etapas do tratamento.
A indicação depende do diagnóstico, do histórico clínico e dos tratamentos já realizados. Na comunicação do site, usamos “cetamina”, termo mais conhecido pelo público. Na Genuine, o protocolo utiliza escetamina injetável administrada por infusão, sempre após avaliação médica.
Em resumo
- A cetamina atua em vias relacionadas à sensibilização e à modulação da dor.
- O tratamento é reservado a casos selecionados, especialmente quando a dor persiste apesar das abordagens usuais.
- A infusão ocorre em ambiente clínico, com dose individualizada e monitoramento.
- A resposta é acompanhada por medidas de dor, sono, humor e capacidade funcional.
- O tratamento é integrado a outras medidas, como fisioterapia, psicoterapia, exercícios e ajuste de medicamentos.
Quando a cetamina pode ser considerada na dor crônica?
A avaliação costuma ser considerada quando a dor limita a rotina e não respondeu de forma satisfatória a tratamentos adequados. Mais do que contar o tempo de sintomas, é importante compreender o tipo de dor, os mecanismos envolvidos, as doenças associadas e o impacto sobre o sono, o humor e a autonomia.
Há estudos sobre cetamina em quadros de dor neuropática, síndrome dolorosa regional complexa, fibromialgia e outras condições refratárias. A força das evidências varia entre os diagnósticos, por isso a indicação não deve ser automática nem baseada apenas na intensidade da dor.
O melhor candidato é aquele para quem existe uma hipótese clínica clara, objetivos mensuráveis e possibilidade de acompanhamento. A decisão é compartilhada, considerando benefícios esperados, condições clínicas e tratamentos em andamento.
Como a cetamina atua?
A cetamina modula principalmente os receptores NMDA, ligados ao sistema glutamatérgico. Essas vias participam da sensibilização central, processo no qual o sistema nervoso passa a amplificar sinais dolorosos.
Ao interferir nesse circuito, a cetamina pode reduzir a hipersensibilidade e favorecer novas respostas do sistema nervoso à dor. Em pacientes bem selecionados, isso pode se refletir em menor intensidade dolorosa, maior tolerância às atividades e melhora de aspectos que costumam acompanhar a dor crônica, como sono e sofrimento emocional.
O que as evidências permitem concluir?
Diretrizes de sociedades médicas reconhecem a infusão intravenosa de cetamina como uma possibilidade para dor crônica em situações selecionadas. Os resultados mais consistentes aparecem em alguns quadros neuropáticos e na síndrome dolorosa regional complexa, embora protocolos e duração do benefício variem.
Na fibromialgia, revisões sistemáticas identificaram redução da dor principalmente no curto prazo. Como o número de participantes ainda é pequeno, a resposta individual e a evolução funcional precisam ser acompanhadas. Para conhecer as evidências em mais detalhes, leia o que a ciência mostra sobre fibromialgia, depressão e cetamina. Para entender as etapas clínicas, veja como funciona a infusão de cetamina em casos de fibromialgia.
Em conjunto, os estudos sustentam o potencial analgésico da cetamina em pacientes selecionados. Eles também mostram por que o tratamento deve ter indicação individual, metas definidas e reavaliações periódicas, em vez de um protocolo igual para todas as formas de dor crônica.
Como funciona o protocolo da Genuine?
1. Avaliação médica
O primeiro passo é revisar o diagnóstico, o histórico da dor, exames, medicações e tratamentos anteriores. Também são avaliadas condições que podem interferir na segurança ou na resposta à infusão.
2. Definição dos objetivos
Antes de iniciar, definimos o que será acompanhado: intensidade e frequência da dor, sono, humor, capacidade para trabalhar, caminhar, exercitar-se ou participar da fisioterapia. Isso permite avaliar a resposta de maneira mais concreta.
3. Infusão e monitoramento
A infusão é realizada em ambiente clínico preparado, com dose individualizada e acompanhamento da equipe. Pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e estado clínico são observados durante a sessão.
O ambiente é tranquilo, com iluminação e estímulos ajustados para favorecer conforto. A equipe permanece disponível durante todo o procedimento.
4. Observação após a infusão
Depois da administração, o paciente permanece em observação até apresentar condições seguras para sair. É necessário organizar acompanhante e não dirigir no mesmo dia.
5. Reavaliação e continuidade
A resposta clínica orienta o número e o intervalo das próximas infusões. Não existe uma quantidade única de sessões que sirva para todos. Quando há benefício, o plano busca consolidar ganhos funcionais e integrá-los ao restante do cuidado.
Para conhecer as etapas gerais adotadas pela clínica, veja também o protocolo da Genuine para tratamento com cetamina.
O tratamento faz parte de um plano mais amplo
A redução da dor pode abrir espaço para avanços importantes: dormir melhor, movimentar-se com mais segurança, retomar exercícios, participar da fisioterapia e reduzir o sofrimento emocional associado à condição.
Por isso, a infusão não é tratada como uma solução isolada. Ela pode ser combinada a fisioterapia, educação em dor, atividade física, psicoterapia e medicamentos, de acordo com as necessidades de cada paciente.
Possíveis efeitos durante a sessão
Sonolência, tontura, náusea, sensação de flutuação, alterações transitórias da percepção e elevação passageira da pressão arterial podem ocorrer. Esses efeitos costumam surgir durante a infusão e são acompanhados pela equipe até sua resolução.
A avaliação prévia e o monitoramento permitem identificar contraindicações, ajustar o tratamento e intervir quando necessário.
Perguntas frequentes
Quantas infusões são necessárias?
O número depende do diagnóstico e da resposta clínica. O plano é definido progressivamente, com reavaliações, e não por um pacote igual para todos.
Em quanto tempo a melhora pode aparecer?
Alguns pacientes percebem mudanças nas primeiras infusões; em outros, a resposta é gradual. Além da intensidade da dor, observamos sono, mobilidade, autonomia e participação nas atividades diárias.
A cetamina substitui os outros tratamentos?
Em geral, não. A infusão é integrada ao plano já existente e pode facilitar a participação em outras terapias. Mudanças de medicamentos são feitas somente com orientação médica.
É preciso encaminhamento?
Não é obrigatório. A avaliação pode ser agendada diretamente. Quando o paciente já possui médico assistente, o cuidado pode ser integrado com sua autorização.
Referências
- Cohen SP et al. Consensus Guidelines on the Use of Intravenous Ketamine Infusions for Chronic Pain. Regional Anesthesia and Pain Medicine. 2018.
- De Carvalho JF, De Sena EP. Ketamine in fibromyalgia: a systematic review. Advances in Rheumatology. 2024.
- Wang X et al. Efficacy and Safety of Pharmacological Treatment in Patients with Complex Regional Pain Syndrome. 2024.
- Chaparro LE et al. Ketamine and other NMDA receptor antagonists for chronic pain. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2025.
Se a dor crônica continua limitando sua rotina apesar dos tratamentos realizados, uma avaliação pode ajudar a entender se a infusão de cetamina faz sentido para o seu caso. A Genuine Mental Health fica em Pinheiros, São Paulo.
Médica psiquiatra formada em 1995, com residência médica em Psiquiatria na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (1996–1998). É especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental certificada pelo Instituto Beck.
Atuou por quase duas décadas na UNIFESP, integrando pesquisas clínicas sobre transtornos de humor, ansiedade e atendimento a vítimas de violência. Possui diversas publicações científicas no Brasil e no exterior e foi consultora científica em psicofarmacologia por mais de 20 anos, acumulando profundo conhecimento em medicamentos psiquiátricos.
De 2002 a 2016, atuou como médica assistente no Hospital Israelita Albert Einstein. É membro da American Psychiatric Association e idealizadora da clínica Genuine Mental Health, onde coordena o atendimento de casos complexos e refratários, como depressão resistente e transtornos de difícil manejo, com protocolos modernos, éticos e individualizados.