Como funciona uma sessão com cetamina?

Postado em: 27/06/2025

Como funciona uma sessão com cetamina em ambiente clínico

Uma sessão com cetamina ocorre em ambiente médico, com preparação prévia, acompanhamento durante a administração e observação antes da liberação. O paciente permanece assistido pela equipe ao longo de todo o processo.

Neste artigo, explicamos o que acontece antes, durante e logo depois de uma sessão. Para conhecer a avaliação inicial e o acompanhamento entre as aplicações, consulte as etapas completas do tratamento com cetamina.

Atualizado em 30 de agosto de 2026. Revisão médica: Dr. Rogério Onofre — CRM-SP 192.427 | RQE 109.401.

O que é avaliado antes da primeira sessão com cetamina?

Antes de iniciar qualquer sessão com cetamina, é essencial passar por uma avaliação psiquiátrica. Nem todos os pacientes são candidatos ao tratamento, e a indicação depende de critérios clínicos, condições de segurança, histórico do quadro e tratamentos anteriores. A avaliação integra as etapas do tratamento com cetamina.

Durante a avaliação, o psiquiatra analisa:

  • Diagnóstico atual e histórico dos sintomas;
  • Falhas anteriores com medicações tradicionais;
  • Presença de ideação suicida ou sofrimento intenso;
  • Comorbidades médicas que possam influenciar na resposta à cetamina;
  • Uso de outras substâncias, especialmente aquelas com potencial de interação;
  • Expectativas e dúvidas do paciente para o processo terapêutico.

A partir disso, é elaborado um protocolo individualizado, definindo número de sessões, intervalo entre elas e a dose inicial — sempre com base na literatura científica e na resposta de cada organismo.

Como é o ambiente de uma sessão com cetamina?

A sessão com cetamina é realizada em ambiente médico e segue um protocolo clínico de segurança e acolhimento, com supervisão durante todo o processo.

O espaço é silencioso, com iluminação suave, temperatura agradável e equipe presente para acompanhar cada etapa. Recursos como fones de ouvido, máscara para os olhos ou manta podem ser oferecidos conforme a preferência e o conforto de cada pessoa.

Antes da administração, é realizado um breve acolhimento, onde o paciente pode tirar dúvidas, expressar sentimentos e revisar as orientações. 

Em seguida:

  • São verificados os sinais vitais (pressão, frequência cardíaca, oximetria);
  • O paciente é posicionado de forma confortável em uma poltrona ou leito;
  • A forma de administração é definida individualmente. A cetamina injetável pode ser utilizada por via subcutânea ou endovenosa; a escetamina intranasal utiliza formulação e protocolo próprios. Entenda as diferenças entre as vias.[1]
  • Durante a sessão, o paciente permanece monitorado e pode repousar com os olhos fechados, escutar música suave ou apenas observar as sensações internas.

Algumas pessoas podem apresentar efeitos transitórios, como sensação de distanciamento do corpo ou do ambiente, chamada de dissociação. A intensidade varia, e a equipe permanece disponível durante toda a sessão para monitorar, orientar e manejar eventuais desconfortos.

O que o paciente pode sentir durante a sessão com cetamina?

A experiência com cetamina é subjetiva e varia de pessoa para pessoa. Alguns relatam uma sensação de relaxamento profundo, outros descrevem pensamentos vívidos ou imagens mentais marcantes. 

Em geral, não há perda de consciência — o paciente permanece consciente, mas em um estado de consciência alterada.

Possíveis sensações durante a sessão incluem:

  • Flutuação corporal leve ou sensação de leveza;
  • Alteração na percepção do tempo ou do espaço;
  • Aumento da introspecção ou da sensibilidade emocional;
  • Diminuição da angústia ou da tensão mental;
  • Sensações visuais sutis com os olhos fechados, como formas ou cores.

Quando ocorrem, essas percepções tendem a ser transitórias, com retorno gradual ao estado habitual após a administração e o período de observação. 

Durante ou após a administração podem ocorrer efeitos transitórios, como náusea, tontura, elevação da pressão arterial, cefaleia, sonolência e alterações perceptivas ou dissociativas. A intensidade varia entre os pacientes, e a equipe deve monitorar essas manifestações até que haja estabilidade clínica.[1]

O que acontece após o término da sessão?

Após a administração, o paciente permanece em observação pelo período definido para a via utilizada e pela resposta clínica, até que esteja estável e em condições seguras para deixar a clínica. 

Durante esse período, o paciente pode conversar com a equipe, anotar suas impressões ou apenas descansar. A equipe também acolhe eventuais desconfortos, registra respostas relevantes para as próximas sessões e orienta os cuidados nas horas seguintes. O retorno para casa deve ser organizado conforme a orientação recebida, e a equipe informa quando é seguro retomar atividades que exigem atenção, como dirigir.

Nos dias seguintes, a equipe avalia efeitos, tolerabilidade e eventuais mudanças nos sintomas. Essas informações orientam as decisões posteriores, sem que exista garantia de benefício ou um número de sessões igual para todas as pessoas.

A sessão é apenas uma etapa do cuidado. A definição dos intervalos, das reavaliações e de uma eventual manutenção faz parte do acompanhamento clínico do tratamento com cetamina.

Na clínica Genuine, cada sessão integra um plano terapêutico mais amplo, com indicação individualizada, monitoramento e acompanhamento psiquiátrico.

Referência

  1. Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 20/2024: uso da cetamina e da escetamina em psiquiatria.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Rogério Onofre
Dr. Rogério Onofre

CRM-SP: 192.427
RQE: 109.401

Dr. Rogério Onofre é médico psiquiatra em São Paulo, com CRM-SP 192.427 e RQE 109.401. Atua na Genuine Mental Health com avaliação e tratamento individualizado de transtornos mentais, incluindo quadros complexos e resistentes.


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