Tratamento com cetamina: avaliação, sessões e acompanhamento clínico em São Paulo

Postado em: 25/08/2025

Tratamento com cetamina em São Paulo: avaliação, sessões e acompanhamento clínico

O tratamento com cetamina em ambiente clínico começa com uma avaliação psiquiátrica, e não com a aplicação. A indicação, a via de administração, o número de sessões e o acompanhamento precisam ser definidos de forma individualizada, considerando diagnóstico, tratamentos anteriores, condições clínicas, riscos e objetivos terapêuticos.

Na prática, o processo envolve triagem, consentimento esclarecido, planejamento, sessões monitoradas e reavaliações periódicas. A cetamina não é uma solução universal nem substitui o cuidado psiquiátrico continuado.

Atualizado em 1º de setembro de 2026. Revisão médica: Dr. Rogério Onofre — CRM-SP 192.427 | RQE 109.401.

Resumo rápido do tratamento

  • A avaliação determina se existe indicação e se o tratamento pode ser realizado com segurança.
  • Não existe uma única via de administração ou um protocolo ideal para todas as pessoas.
  • As sessões devem ocorrer em ambiente preparado, com monitoramento e equipe capacitada.
  • A resposta e os efeitos adversos são acompanhados ao longo do tratamento.
  • O plano pode ser ajustado, interrompido ou integrado a outras abordagens conforme a evolução.

1. Avaliação psiquiátrica antes da cetamina

A primeira consulta serve para confirmar o diagnóstico, revisar o que já foi tentado e estimar a relação entre benefícios e riscos. Entre os pontos avaliados estão:

  • histórico dos sintomas e impacto sobre a vida diária;
  • medicações e outras abordagens utilizadas, com dose, duração, resposta e tolerabilidade;
  • condições clínicas, pressão arterial e histórico cardiovascular;
  • episódios de mania, psicose, uso problemático de substâncias e outros fatores de risco;
  • medicamentos em uso e possíveis interações;
  • expectativas, disponibilidade para acompanhamento e organização do retorno para casa.

A consulta não obriga o início do tratamento. Em alguns casos, a conduta mais responsável é revisar o diagnóstico, ajustar tratamentos já utilizados ou considerar outra estratégia. Veja também quem pode ser candidato ao tratamento com cetamina.

2. Definição da via e do plano terapêutico

A cetamina e a escetamina podem ser utilizadas por diferentes vias, com particularidades regulatórias, operacionais e científicas. A via endovenosa exige acesso venoso e equipamentos de infusão; a subcutânea dispensa o acesso venoso e permite titulação da dose; a escetamina intranasal utiliza uma formulação e um protocolo próprios.

Não existe uma via automaticamente superior para todos os pacientes. A escolha considera a substância utilizada, a evidência disponível, o diagnóstico, as condições clínicas, a tolerância a procedimentos e a estrutura do serviço. Leia a comparação entre as vias endovenosa, subcutânea e intranasal.

No Brasil, a escetamina injetável não possui indicação em bula para o tratamento de transtornos psiquiátricos. Por isso, sua utilização para depressão é considerada off-label quanto à indicação clínica. O Parecer CFM nº 20/2024 esclarece ainda que a administração pela via subcutânea, por não constar na bula, constitui uma via não regulamentada. Isso não significa que o tratamento seja experimental, mas exige indicação médica fundamentada, consentimento informado, registro em prontuário, supervisão médica e estrutura apropriada para monitoramento.[1]

3. Preparação para cada sessão

As orientações prévias variam conforme a via, o protocolo e as condições de cada pessoa. A equipe deve informar com antecedência como proceder em relação a alimentação, medicamentos, álcool e outras substâncias. Nenhuma medicação deve ser suspensa por conta própria.

Também é necessário organizar a saída da clínica. Como podem ocorrer sedação, tontura, alterações perceptivas ou redução temporária da atenção, o paciente deve seguir as orientações recebidas. A equipe informa quando é seguro retomar atividades que exigem atenção, como dirigir.

4. Como acontece a sessão monitorada

Antes da administração, a equipe confirma as condições clínicas e verifica os sinais vitais pertinentes. A sessão segue um protocolo de segurança e acolhimento e ocorre em sala privativa e preparada, com poltrona confortável, iluminação suave e possibilidade de reduzir estímulos com fones, máscara para os olhos ou manta, conforme a preferência do paciente.

Durante a sessão, o monitoramento é ajustado ao medicamento, à via e ao perfil clínico. Algumas pessoas podem apresentar tontura, náusea, sonolência, elevação transitória da pressão arterial, sensação de distanciamento ou outras alterações perceptivas. A intensidade varia, e a equipe deve estar preparada para reconhecer e manejar intercorrências.

Para uma descrição mais detalhada, consulte como funciona uma sessão com cetamina.

5. Observação e liberação

Depois da administração, o paciente permanece em observação pelo período previsto para a via utilizada e por sua resposta clínica. A liberação ocorre somente quando a equipe considera que há estabilidade e condições seguras para deixar o serviço.

Nessa etapa, são registrados efeitos, tolerabilidade e informações relevantes para as próximas sessões. O paciente recebe orientações sobre sinais de alerta, descanso, retorno às atividades e contato com a equipe.

6. Acompanhamento e reavaliação da resposta

O tratamento não termina quando a sessão acaba. A evolução deve ser acompanhada por sintomas, funcionamento, qualidade de vida, efeitos adversos e objetivos definidos no início. Escalas clínicas podem ajudar, mas não substituem a avaliação médica.

Não há um número fechado de sessões que sirva para todas as pessoas. O plano é reavaliado conforme resposta e tolerabilidade. Se não houver benefício clinicamente relevante, ou se os riscos superarem os ganhos, a estratégia deve ser revista.

Quando existe um psiquiatra encaminhador, a equipe pode manter comunicação com esse profissional, com autorização do paciente, para alinhar condutas e integrar a cetamina a outras etapas do cuidado, como farmacoterapia e psicoterapia.

A cetamina substitui antidepressivos, psicoterapia ou neuromodulação?

Não de forma automática. Essas abordagens não são equivalentes nem precisam competir entre si. Elas podem ser utilizadas isoladamente, em sequência ou de maneira combinada, conforme o diagnóstico, a gravidade do quadro, os tratamentos anteriores, os riscos e as preferências do paciente.[4] [5]

AbordagemPapel no tratamento
AntidepressivosSão uma das principais opções farmacológicas para depressão. A escolha e a duração do tratamento dependem da resposta, da tolerabilidade e do risco de recorrência.
PsicoterapiaPode ser indicada isoladamente ou associada a medicamentos. A modalidade e a intensidade dependem da gravidade, das necessidades e das preferências do paciente.
Cetamina ou escetaminaA evidência é mais consistente na depressão resistente. Algumas pessoas podem apresentar melhora relativamente rápida, mas a resposta não é universal e o tratamento exige acompanhamento médico.
NeuromodulaçãoTécnicas como estimulação magnética transcraniana e eletroconvulsoterapia podem ser consideradas em situações específicas, conforme gravidade, urgência, resistência e condições clínicas.

Portanto, a cetamina não deve ser apresentada como substituta universal das outras abordagens. A decisão é individualizada, e medicamentos ou psicoterapia não devem ser interrompidos ou modificados sem orientação do profissional responsável.

O que as evidências permitem concluir

A evidência mais consistente para cetamina e escetamina em psiquiatria está relacionada à depressão resistente ao tratamento. Ensaios clínicos mostram que algumas pessoas podem apresentar redução relativamente rápida dos sintomas, mas a resposta não é universal e ainda existem questões sobre manutenção, melhor esquema de doses e resultados de longo prazo.[2] [3]

Para outras condições, a qualidade e a quantidade de evidências variam. Por isso, a presença de um diagnóstico não significa indicação automática. A decisão precisa ser individualizada e baseada no conjunto das evidências, no histórico clínico e nas alternativas disponíveis.

Limitações, riscos e incertezas

  • Nem todos os pacientes respondem ao tratamento.
  • Os efeitos agudos podem exigir observação e intervenção clínica.
  • O uso repetido exige acompanhamento de eficácia, tolerabilidade e risco de uso inadequado.
  • Resultados de uma via ou formulação não podem ser transferidos automaticamente para outra.
  • A cetamina não substitui avaliação diagnóstica, acompanhamento psiquiátrico ou outras intervenções indicadas.

Como agendar uma avaliação para tratamento com cetamina em São Paulo?

A avaliação pode ser agendada diretamente com a Genuine, sem necessidade de encaminhamento. O primeiro contato pode ser feito pelo site, telefone ou WhatsApp. Na consulta, o psiquiatra analisa o diagnóstico, os tratamentos anteriores, as condições clínicas, os medicamentos em uso e os objetivos terapêuticos.

Se houver indicação, a equipe explica o planejamento das sessões, as orientações de preparo, o monitoramento e os cuidados para o retorno para casa. A consulta não obriga o início do tratamento.

A Genuine Mental Health está localizada em Pinheiros, na Rua João Moura, 627-647, conjunto 23, em São Paulo. Ao escolher uma clínica, é importante verificar se há avaliação médica prévia, consentimento esclarecido, monitoramento adequado, equipe capacitada para manejar intercorrências e acompanhamento da resposta ao longo do tratamento.

Perguntas frequentes

Preciso de encaminhamento para marcar uma avaliação?

Não necessariamente. A avaliação pode ser agendada diretamente. Se já houver um psiquiatra responsável pelo tratamento, a comunicação entre as equipes pode ser feita com autorização do paciente.

Quantas sessões serão necessárias?

O número e o intervalo dependem do diagnóstico, da via utilizada, da resposta e da tolerabilidade. A decisão deve ser revista ao longo do processo, e não definida apenas por um pacote fixo.

Quando o tratamento deve ser interrompido?

A equipe pode interromper ou modificar o plano quando surgem riscos, efeitos adversos relevantes, ausência de benefício ou mudança na avaliação diagnóstica. Essa decisão é individual.

O plano de saúde cobre ou reembolsa o tratamento com cetamina?

O atendimento na Genuine Mental Health é particular, e a clínica emite nota fiscal. A consulta médica pode ser submetida ao plano de saúde para solicitação de reembolso, conforme as regras do contrato e da operadora. O tratamento com cetamina não é reembolsado pelos convênios.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 20/2024.
  2. Anvisa. Registro e indicação da escetamina intranasal para depressão resistente.
  3. Ketamine for Adult Depression Study (KADS): ensaio clínico de fase 3 com cetamina subcutânea.
  4. CANMAT 2023: diretrizes clínicas para o manejo do transtorno depressivo maior em adultos.
  5. NICE. Depression in adults: treatment and management.

INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Rogério Onofre
Dr. Rogério Onofre

CRM-SP: 192.427
RQE: 109.401

Dr. Rogério Onofre é médico psiquiatra em São Paulo, com CRM-SP 192.427 e RQE 109.401. Atua na Genuine Mental Health com avaliação e tratamento individualizado de transtornos mentais, incluindo quadros complexos e resistentes.


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