Cetamina para ansiedade: quando essa abordagem pode ser considerada
Postado em: 18/08/2025
A cetamina pode ser considerada como estratégia complementar para alguns pacientes com ansiedade resistente — especialmente quando os sintomas continuam intensos apesar de tratamentos convencionais realizados de forma adequada.
Os estudos disponíveis mostram potencial para uma redução rápida dos sintomas em parte dos pacientes. A decisão, porém, depende do diagnóstico, do histórico de tratamentos e de uma avaliação individual.

Em resumo
- A cetamina não costuma ser a primeira opção para transtornos de ansiedade.
- Pode ser avaliada quando tratamentos adequados não produziram a resposta esperada.
- Ensaios clínicos observaram melhora rápida em alguns pacientes com ansiedade social e transtorno de ansiedade generalizada resistentes.
- A indicação, o número de infusões e o acompanhamento são definidos individualmente.
- O tratamento é complementar ao cuidado psiquiátrico e à psicoterapia.
Quando a cetamina pode ser considerada para ansiedade?
Antes de considerar a cetamina, é importante confirmar o diagnóstico e revisar os tratamentos anteriores. Isso inclui verificar se as medicações foram usadas em dose e duração adequadas, como foi a adesão, quais psicoterapias foram realizadas e se existem condições associadas que possam interferir na resposta.
A avaliação pode ser pertinente quando há sintomas persistentes e incapacitantes, resposta insuficiente às abordagens habituais ou ansiedade associada à depressão resistente. Alguns estudos também investigaram pacientes com transtorno de ansiedade generalizada e ansiedade social refratários.
Se você ainda está tentando compreender o quadro, consulte a página sobre transtornos de ansiedade. Para entender os critérios clínicos, leia também sobre ansiedade resistente.
O que os estudos mostram?
Uma revisão com 14 ensaios clínicos encontrou redução dos escores de ansiedade nas primeiras horas, após 24 horas e entre sete e 14 dias depois da administração.[1] Outra revisão de transtornos ansiosos resistentes identificou resultados favoráveis em quatro de seis ensaios controlados, com sinais particularmente promissores na ansiedade social.[2]
Em um estudo controlado com pacientes que apresentavam transtorno de ansiedade generalizada ou ansiedade social resistentes, a melhora começou dentro de uma hora e permaneceu por até uma semana.[3] Um estudo de manutenção também observou redução dos sintomas e melhora do funcionamento social ou profissional ao longo de três meses em pacientes que já haviam respondido ao tratamento.[4]
Esses resultados mostram que a cetamina pode oferecer uma resposta relevante e rápida para alguns pacientes. Como a quantidade de estudos ainda é menor do que na depressão resistente, a seleção adequada e o acompanhamento da resposta são partes importantes do tratamento.
Como a cetamina age?
A cetamina atua principalmente no sistema glutamatérgico, incluindo o bloqueio de receptores NMDA e a ativação de vias relacionadas à plasticidade sináptica. Esse mecanismo é diferente daquele dos antidepressivos que atuam predominantemente sobre serotonina ou noradrenalina.
Na prática clínica, essa ação pode estar associada à redução do estado de alerta excessivo, da tensão e da percepção constante de ameaça. O efeito varia entre pacientes e é acompanhado ao longo das infusões.
Como funciona o tratamento na Genuine?
Na Genuine, o processo começa com uma avaliação psiquiátrica detalhada. São considerados o diagnóstico, a intensidade dos sintomas, os medicamentos em uso, as respostas anteriores e as condições clínicas relevantes.
Quando a infusão de cetamina é considerada adequada, o tratamento ocorre em ambiente preparado, com acompanhamento da equipe e monitorização clínica. O espaço foi planejado para oferecer privacidade e conforto durante a sessão.
A evolução é reavaliada ao longo do tratamento. A frequência das infusões e a necessidade de continuidade dependem da resposta, da tolerabilidade e dos objetivos definidos com o paciente. Veja os detalhes na página sobre o tratamento com cetamina.
O que pode acontecer durante ou após a infusão?
Alterações perceptivas, sensação de distanciamento, tontura, sonolência, náusea e elevação temporária da pressão arterial podem ocorrer durante ou logo após a infusão. Esses efeitos costumam ser transitórios e são acompanhados pela equipe.
A avaliação prévia também considera pressão arterial, condições cardiovasculares, sintomas psicóticos, histórico de uso problemático de substâncias, gestação, amamentação e possíveis interações com outros medicamentos. Esses fatores não são analisados por uma lista automática: a decisão é clínica e individual.
Perguntas frequentes
A cetamina é indicada para qualquer pessoa com ansiedade?
Não. Ela costuma ser considerada em situações selecionadas, depois da revisão do diagnóstico e das tentativas terapêuticas anteriores.
Em quanto tempo pode surgir uma resposta?
Alguns estudos observaram melhora nas primeiras horas ou nos dias seguintes. Nem todos respondem da mesma forma, por isso a evolução precisa ser acompanhada individualmente.
Quantas infusões são necessárias?
Não existe um número único para todos os pacientes. O plano inicial e eventuais ajustes dependem da indicação, da resposta clínica e da tolerabilidade.
A cetamina causa dependência?
A cetamina apresenta potencial de uso inadequado fora do contexto médico. Em um protocolo clínico, a indicação, as doses e a frequência são controladas, e o histórico de uso de substâncias faz parte da avaliação.
É preciso interromper medicamentos ou psicoterapia?
Não faça mudanças por conta própria. A cetamina é uma estratégia complementar, e o psiquiatra orienta como manter ou ajustar os demais componentes do tratamento.
Referências
- A transdiagnostic systematic review and meta-analysis of ketamine’s anxiolytic effects.
- Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials of ketamine in refractory anxiety spectrum disorders.
- Effects of ketamine in treatment-refractory generalized anxiety and social anxiety disorders.
- Safety and efficacy of maintenance ketamine treatment in refractory generalized and social anxiety disorders.
Se a ansiedade continua limitando sua vida apesar dos tratamentos já realizados, uma avaliação pode ajudar a revisar o diagnóstico e discutir as opções disponíveis. Agende uma consulta com a Genuine.
Médica psiquiatra formada em 1995, com residência médica em Psiquiatria na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (1996–1998). É especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental certificada pelo Instituto Beck.
Atuou por quase duas décadas na UNIFESP, integrando pesquisas clínicas sobre transtornos de humor, ansiedade e atendimento a vítimas de violência. Possui diversas publicações científicas no Brasil e no exterior e foi consultora científica em psicofarmacologia por mais de 20 anos, acumulando profundo conhecimento em medicamentos psiquiátricos.
De 2002 a 2016, atuou como médica assistente no Hospital Israelita Albert Einstein. É membro da American Psychiatric Association e idealizadora da clínica Genuine Mental Health, onde coordena o atendimento de casos complexos e refratários, como depressão resistente e transtornos de difícil manejo, com protocolos modernos, éticos e individualizados.