Ansiedade Resistente: O Que Fazer Quando Nada Resolve?

Postado em: 13/10/2025

Se a ansiedade continua prejudicando sua rotina apesar do tratamento, o próximo passo é revisar o diagnóstico e o cuidado já realizado. A persistência dos sintomas não significa, por si só, que todas as possibilidades foram esgotadas.

Essa revisão ajuda a distinguir uma resposta parcial, um tratamento que ainda precisa de ajustes e um quadro que exige avaliação especializada.

O que são transtornos de ansiedade?

Os transtornos de ansiedade englobam diferentes condições psiquiátricas caracterizadas por medo ou preocupação excessivos, acompanhados de manifestações como palpitação, sudorese, tremores e dificuldade para dormir.

Entre eles estão o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno do pânico e a fobia social (transtorno de ansiedade social).

Embora cada um apresente particularidades, todos podem provocar sofrimento e prejuízos na rotina. Existem tratamentos eficazes, especialmente intervenções psicológicas baseadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC) e, quando indicados, medicamentos. A escolha depende do transtorno e das necessidades da pessoa. OMS.

O que é a ansiedade resistente?

“Ansiedade resistente” descreve a persistência de sintomas relevantes apesar de tratamentos adequados. Não basta ter usado um medicamento ou feito algumas sessões de psicoterapia para concluir que o quadro é resistente.

É necessário conferir o diagnóstico, o tempo de tratamento, a regularidade do uso dos medicamentos e a adequação da psicoterapia. Efeitos adversos, dificuldade de acesso e outras condições de saúde também precisam entrar nessa avaliação. Um consenso internacional de 2024 distingue resistência ao tratamento medicamentoso e à psicoterapia; isso não funciona como um teste para autodiagnóstico. Domschke et al., 2024.

Como lidar com a ansiedade resistente?

O tratamento deve ser individualizado. A revisão do plano pode envolver:

  • Ajuste de medicação: o médico pode revisar ou substituir o tratamento. Associar medicamentos não é uma etapa automática: exige avaliação dos benefícios, dos efeitos adversos e das interações.
  • Psicoterapia especializada: vale verificar se a abordagem utilizada corresponde ao transtorno e se foi possível realizar o tratamento proposto. No TAG, por exemplo, uma resposta parcial ao medicamento pode levar à consideração de TCC em conjunto.
  • Cuidados com a rotina: sono regular, atividade física e redução do excesso de cafeína podem apoiar o cuidado, sem substituir o tratamento indicado.

Não aumente, troque ou interrompa medicamentos por conta própria. Leve à consulta uma lista do que já utilizou, por quanto tempo, o que melhorou e quais dificuldades apareceram. Combinar com o profissional quais mudanças serão acompanhadas — como voltar a trabalhar ou retomar atividades evitadas — ajuda a tornar os objetivos do cuidado mais claros. NICE; NIMH.

Perguntas frequentes

Como saber se meu caso é resistente?

A avaliação deve ser feita por um psiquiatra, considerando o histórico clínico e os tratamentos anteriores. Uma consulta de revisão é especialmente importante quando os sintomas continuam limitando a vida ou quando o tratamento está difícil de tolerar. No TAG, sintomas graves com grande prejuízo funcional e resposta insuficiente justificam avaliação especializada. NICE.

A cetamina pode ajudar em casos de ansiedade?

Sim. Estudos clínicos indicam que a cetamina pode reduzir sintomas de ansiedade, com melhora observada já nas primeiras horas. Uma revisão de pesquisas em diferentes condições clínicas também encontrou benefícios entre 7 e 14 dias após a administração. Hartland et al., 2023.

O psiquiatra pode avaliar essa possibilidade em casos selecionados, considerando o diagnóstico e os tratamentos já realizados.

O tema é aprofundado no artigo cetamina para ansiedade: quando essa abordagem pode ser considerada.

O tratamento com cetamina é seguro?

O acompanhamento clínico não elimina os riscos. Podem ocorrer náusea, tontura, alterações da pressão arterial e dissociação — uma sensação de distanciamento do corpo ou do ambiente. Também é necessário considerar o potencial de uso problemático e as limitações dos dados de longo prazo para ansiedade.

A decisão deve ponderar indicação, condições de saúde, outros medicamentos e capacidade de monitoramento. Não se deve usar cetamina por conta própria. Tully et al., 2022.

Quando procurar atendimento imediato?

Dor no peito de início súbito, falta de ar intensa ou risco imediato de se machucar não devem ser atribuídos automaticamente à ansiedade. Procure um serviço de urgência ou ligue para o SAMU, no 192. Não espere uma consulta de rotina nessas situações. Ministério da Saúde.

Para uma revisão programada do tratamento, conheça o atendimento em psiquiatria da Genuine. Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual.

Leia também: tratamento com cetamina: avaliação, sessões e acompanhamento clínico.

Referências

INFORMAÇÕES DA AUTORA:

Dra. Giuliana Cividanes

CRM-SP: 85.732
RQE: 64.142

Médica psiquiatra formada em 1995, com residência médica em Psiquiatria na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (1996–1998). É especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental certificada pelo Instituto Beck.

Atuou por quase duas décadas na UNIFESP, integrando pesquisas clínicas sobre transtornos de humor, ansiedade e atendimento a vítimas de violência. Possui diversas publicações científicas no Brasil e no exterior e foi consultora científica em psicofarmacologia por mais de 20 anos, acumulando profundo conhecimento em medicamentos psiquiátricos.

De 2002 a 2016, atuou como médica assistente no Hospital Israelita Albert Einstein. É membro da American Psychiatric Association e idealizadora da clínica Genuine Mental Health, onde coordena o atendimento de casos complexos e refratários, como depressão resistente e transtornos de difícil manejo, com protocolos modernos, éticos e individualizados.


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