Quem pode fazer tratamento com cetamina? Critérios e contraindicações

Postado em: 08/12/2025

Quem pode fazer tratamento com cetamina? Critérios e contraindicações

O tratamento com cetamina pode ser considerado para adultos com episódios depressivos que não melhoraram de forma suficiente com tratamentos bem conduzidos. O diagnóstico, porém, não basta: é preciso avaliar o histórico terapêutico, as condições clínicas, os medicamentos em uso e a possibilidade de manter acompanhamento regular.

A evidência é mais consistente na depressão resistente ao tratamento.[2][3] Em casos selecionados, a abordagem também pode ser discutida na depressão bipolar, com atenção ao diagnóstico, ao estabilizador do humor e ao risco de mudança de polaridade.[4]

Ao longo do site usamos “cetamina”, termo pelo qual o tratamento é mais conhecido pelo público. Na Genuine, a medicação injetável utilizada é a escetamina. No Brasil, seu uso injetável para transtornos mentais é off-label e, segundo o Conselho Federal de Medicina, deve ser indicado criteriosamente e acompanhado de consentimento informado.[1]

Quem pode ser candidato?

A avaliação costuma ser pertinente quando existem, em conjunto, alguns dos seguintes elementos:

  • episódio depressivo atual confirmado e com impacto relevante na vida diária;
  • resposta insuficiente a tratamentos anteriores usados em dose e duração adequadas;
  • adesão ao tratamento e diagnóstico revistos, afastando causas de falsa resistência;
  • condições clínicas compatíveis com a infusão e o monitoramento;
  • objetivos terapêuticos definidos e possibilidade de acompanhar a resposta.

Um critério frequentemente utilizado para depressão resistente é a falta de resposta satisfatória após pelo menos duas tentativas adequadas de antidepressivos. Esse número orienta a análise, mas não funciona como autorização automática para o procedimento.[2]

No vídeo abaixo, explico como a cetamina é utilizada na prática e em quais situações pode ser considerada.

O que é analisado na avaliação?

A consulta reconstrói o caminho do tratamento: diagnóstico e episódio atual, medicamentos já utilizados, doses, duração, adesão, benefícios e efeitos adversos. Também são avaliados histórico de mania ou psicose, uso de álcool e outras substâncias, doenças clínicas, pressão arterial, medicações concomitantes e exames quando necessários.

Essa etapa também serve para comparar a cetamina com alternativas possíveis. A escolha deve considerar benefício esperado, riscos, preferência do paciente e condições para manter o cuidado depois das infusões.

Quais situações podem contraindicar ou adiar o tratamento?

Não existe uma lista simples que substitua a avaliação médica. Algumas condições podem impedir o uso; outras exigem estabilização prévia, exames adicionais ou um ambiente de maior suporte.[2]

SituaçãoComo costuma pesar na decisão
Hipersensibilidade conhecida ao medicamentoContraindica o uso
Hipertensão mal controlada ou condição cardiovascular/respiratória instávelPode exigir controle prévio ou outra estratégia
Psicose ativa, mania ou sintomas mistos importantesRequer estabilização e avaliação psiquiátrica criteriosa
Transtorno por uso de substâncias ativoExige análise do risco de uso indevido e plano de cuidado específico
Gestação ou amamentaçãoDemanda avaliação individual rigorosa e discussão de alternativas

Quando há risco suicida imediato, a prioridade é definir o ambiente seguro de cuidado. Uma possível resposta rápida ao tratamento não substitui medidas de proteção, acompanhamento intensivo ou hospitalização quando indicada.

Avaliação clínica para tratamento com cetamina

O que não determina a indicação sozinho?

  • ter recebido apenas o diagnóstico de depressão;
  • estar passando por uma piora recente sem revisão do tratamento atual;
  • esperar uma resposta garantida ou definitiva;
  • ter interesse na cetamina sem condições de realizar avaliação e acompanhamento.

Perguntas frequentes

É possível prever quem responderá?

Não com precisão. O histórico ajuda a estimar benefício e risco, mas a resposta precisa ser medida durante o acompanhamento. A ausência de resposta também deve levar à revisão do plano, e não à repetição indefinida de infusões.

O tratamento substitui antidepressivos ou psicoterapia?

Em geral, não. A cetamina costuma integrar um plano mais amplo, que pode incluir medicamentos de manutenção, psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico regular.

Como saber se já é o momento de avaliar essa opção?

Leia também quando considerar a cetamina no tratamento psiquiátrico. Se a dúvida for sobre o procedimento, veja como funcionam a avaliação, as infusões e o acompanhamento na Genuine.

Para saber se o tratamento é apropriado para o seu caso, é possível agendar uma avaliação especializada.

Atualizado em 1º de setembro de 2026.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina. Parecer CFM nº 20/2024.
  2. CANMAT Task Force Recommendations for the Use of Racemic Ketamine in Adults with Major Depressive Disorder. Canadian Journal of Psychiatry, 2021.
  3. Synthesizing the Evidence for Ketamine and Esketamine in Treatment-Resistant Depression. American Journal of Psychiatry, 2021.
  4. Nunez NA, Joseph B, Kumar R, et al. An Update on the Efficacy of Single and Serial Intravenous Ketamine Infusions and Esketamine for Bipolar Depression: A Systematic Review and Meta-Analysis. Brain Sciences. 2023;13(12):1672. doi:10.3390/brainsci13121672.

INFORMAÇÕES DA AUTORA:

Dra. Giuliana Cividanes

CRM-SP: 85.732
RQE: 64.142

Médica psiquiatra formada em 1995, com residência médica em Psiquiatria na Irmandade da Santa Casa de São Paulo (1996–1998). É especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e mestre em Psiquiatria pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental certificada pelo Instituto Beck.

Atuou por quase duas décadas na UNIFESP, integrando pesquisas clínicas sobre transtornos de humor, ansiedade e atendimento a vítimas de violência. Possui diversas publicações científicas no Brasil e no exterior e foi consultora científica em psicofarmacologia por mais de 20 anos, acumulando profundo conhecimento em medicamentos psiquiátricos.

De 2002 a 2016, atuou como médica assistente no Hospital Israelita Albert Einstein. É membro da American Psychiatric Association e idealizadora da clínica Genuine Mental Health, onde coordena o atendimento de casos complexos e refratários, como depressão resistente e transtornos de difícil manejo, com protocolos modernos, éticos e individualizados.


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